“Para o micro e pequeno empresário, um dia é valioso”

Artigo - Incentivo à microempresa: boa estratégia

 

Joseph Couri

 

Empresário no Brasil, sobretudo micros e pequenos, trabalha 12 meses por ano, 7 dias por semana. Por isso, em uma vida inteira de convivência empresarial estou convencido de que eles são postos à prova a todo o momento, mas não perdem tempo: seguem trabalhando e, principalmente, acreditando no futuro. Ao longo dos anos, diante dos obstáculos e de algumas agruras, em vez de nos fazermos vítimas, temos aprendido a prosseguir a competitividade, já que, com a globalização, nosso concorrente direto deixou de ser nosso vizinho para estar a milhares de quilômetros, não raro em condições muito mais favoráveis do que as nossas.

 

Aos poucos, temos adotado uma postura que mescla organização, planejamento, método, persistência, crença e investimento nas pessoas, na estrutura e em inovação, que países como Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, China Itália, Espanha, Canadá e Coréia já aplicam há gerações. Não à toa, todos esses países ocupam as dez posições à nossa frente entre as maiores economias do mundo.

 

No Brasil não há furação, neve ou terremoto, embora o que nos abale realmente sejam os juros mais altos do mundo, a pesada carga tributária, a falta de crédito, a burocracia e as sucessivas crises econômicas, além da atual. Entretanto, há sinais de reaquecimento, em virtude, principalmente, da importância do mercado interno, onde os micros e pequenos mais atuam. Some-se a isso a criatividade, a persistência e o otimismo do brasileiro, que é um vencedor por natureza, além das medidas governamentais positivas, que resultaram, entre outras coisas, na estabilidade econômica.

 

Fusões e Aquisições

Nos últimos anos, temos assistido no Brasil a inúmeras fusões e aquisições, envolvendo cifras bilionárias, que criam companhias de atuação global e, orgulhosamente, põem o País nas manchetes de jornais estrangeiros como exemplo de competitividade mundial. Em ambientes muito menos glamurosos que as salas dos altos executivos, os pequenos negócios mostram enorme capacidade de impulsionar a economia do País.

 

Para ter uma idéia, mais de 60% dos empregos da indústria são gerados pela micro e pequenas, de onde sai também grande parte das inovações com investimentos muito mais baixos – estima-se numa proporção de 1 para 20 -, do que os despendidos pelas grandes. Isso explica em parte a atenção que os países que os países desenvolvidos têm com os micro e pequenos, a quem consideram uma questão estratégica para a economia, a ponto de criar políticas exclusivas. Nos Estados Unidos, onde 60% das pessoas pretendem abrir um negócio próprio em alguma fase da vida, um exemplo emblemático é a Carolina do Norte, que, para cada dólar investido em uma pequena empresa, se propõe a colocar outros US$2.

 

Investimento do governo em capital de risco, que se mostra não tão arriscado assim, já que o objetivo é atrair pequenas empresas para a cidade e com elas a geração de empregos e renda.

 

Enquanto isso, no Brasil, o governo, nos seus diversos níveis, está trabalhando em várias frentes no sentido de criar alternativas para tornar viável o nascimento, a sobrevivência e o crescimento dos pequenos negócios. O desafio é o ritmo em que combatemos os vilões desse processo: a pesada carga tributária, a alta taxa de juros e a falta de crédito.

 

Não podemos perder mais tempo. É essencial mobilizar as lideranças da sociedade, os trabalhadores, as instituições financeiras, as autoridades e o governo no sentido de reconhecer a importância, as particularidades e as dificuldades dessas empresas e estimulá-las. Para o micro e pequeno empresário, um dia é valioso.

 

Pode significar alguns milhares de reais a mais de endividamento ou a comemoração pela chegada de uma nova máquina, a conquista de um cliente ou a contratação de mais um funcionário.

 

* Joseph Couri - é presidente do Simpi (Sindicado da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo) e da Assimpi (Associação Nacional dos Simpi)

 

 

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